O sol brilhava sobre os campos que rodeavam uma pequena casa de madeira. A terra estava úmida por causa da chuva, e cheia de esterco dos animais. Miguel empurrava lentamente seu novo arado para frente e para trás, lavrando longas fileiras que pareciam pequenas montanhas na terra marrom escura. Muito feliz por suas «montanhazinhas» estarem tão retas e bem traçadas, plantou nelas pequeninas mudas de tomate, que havia cultivado das sementes. Passaram-se muitos dias e muitas noites. A chuva ia e vinha, e as plantas cresciam e se enchiam de folhas.
Miguel passeava para cima e para baixo pelas fileiras de tomateiros, cuidando das plantas e pondo esterco para acrescentar nutrientes ao solo. Um dia, notou que nasciam pequenas flores entre as folhas verdes. Em pouco tempo havia tantas flores que pareciam estrelas no céu. De repente, como se fosse mágica, embaixo de cada uma dessas flores que pareciam estrelas apareceu um tomate pequeno, verde e redondo. Cada tomatinho crescia e crescia e mudava de cor com o passar dos dias. Um após o outro, passaram do verde escuro para o amarelo, e rapidamente ficaram vermelho alaranjados. Quando alguns tomates ficaram grandes e vermelhos, Miguel supôs que estavam macios e suculentos, e prontos para serem comidos. Percorreu cada uma das fileiras de cima a baixo e colheu todos os tomates que estavam maduros para que sua família pudesse comê-los naquele dia. Miguel levou para casa uma pequena cesta cheia de tomates. A mulher dele, Ana, ficou contente ao ver como os tomates estavam grandes e vermelhos, e tinha certeza que estavam doces e gostosos. Lavou com todo cuidado cada um deles, para tirar a terra, e os cortou em pequenos pedaços para preparar um molho para o jantar.
Depois de muitos dias, toda a plantação havia adquirido a cor dos tomates vermelhos brilhantes pendurados nas plantas verdes ao longo das fileiras compridas e bem traçadas.
A maior parte dos tomates já estava pronta para ser colhida. Ana não poderia utilizar todos os tomates no jantar. Na manhã seguinte, Miguel e Ana foram bem cedo para a plantação com umas caixas grandes e rasas. Lentamente percorreram as fileiras da roça de tomates, colhendo cuidadosamente os tomates e colocando-os nas caixas. Em pouco tempo, encheram a velha carroça que possuíam com as caixas de tomate. Depois de despedir-se da Ana, Miguel conduziu muito devagar a carroça na estrada poeirenta que levava à feira do vilarejo.
Os tomates chegam ao mercado do vilarejoA praça da feira estava cheia de gente que descarregava seus produtos para vendê-los. Vestidos e jóias, cintos e sapatos, bem como pães e bolos feitos de manhã cedinho, estavam expostos em mesas e toalhas embaixo de sombrinhas coloridas. Os ovos, a carne e o queijo eram mantidos frescos embaixo de panos úmidos, e as frutas e hortaliças estavam dispostas em caixas cuidadosamente empilhadas umas sobre as outras.
Algumas pessoas, entre elas Miguel, descarregavam suas caixas num lado da praça da feira e esperavam as pessoas chegarem em seus caminhões para comprar alimentos e outros artigos, e levá-los para as grandes cidades. 
Miguel, de pé junto a suas caixas cheias de tomate, avistou um velho caminhão que entrava na praça, fazendo um grande barulho. Pedro acenou para as pessoas enquanto saltava do caminhão e fechava a porta ruidosamente. Estava muito feliz de ver que a praça estava cheia de gente na feira com as caixas cheias de frutas e verduras frescas e maduras. Pedro e Miguel conversaram sobre o preço e a qualidade dos tomates. Quando chegaram a um acordo sobre o preço, Pedro decidiu comprar todos os tomates cultivados no campo do Miguel, que o ajudou a carregar o caminhão com as caixas com o produto.
Pedro falou com outras pessoas da feira e comprou várias outras frutas e verduras. Em pouco tempo a carroceria do caminhão ficou lotada de frutas e verduras frescas cultivadas nas propriedades do vilarejo. Pedro percebeu que era hora de fazer o longo caminho de volta para a cidade. Ficava feliz quando lembrava que teria um bom lucro com a venda dos produtos que havia adquirido no vilarejo do Miguel. Subiu no caminhão com um pulo, ligou o motor e saiu lentamente da praça do mercado, saudando amistosamente com a mão o Miguel, que conduzia sua carroça de volta para sua casinha.
Enquanto Miguel estava na feira, a Ana pegou uns tomates maduros para preparar um molho. Lavou cuidadosamente os recipientes com água fervida e preparou os tomates para fazer a conserva. Quando Miguel voltou da feira, Ana já tinha preparado vários vidros de molho de tomate que seriam consumidos bem depois, quando o sol do verão já tivesse ido e os campos estivessem cobertos pela neve. Ana ficou muito contente pelo Miguel ter podido vender todos os tomates. Sabia que agora teriam dinheiro para comprar outros alimentos e artigos de necessidade para a família. Após um longo dia, Miguel e Ana se sentiam cansados e com fome e se sentaram satisfeitos para comer o jantar feito com produtos cultivados em sua plantação, incluindo o molho que a Ana preparou com os tomates vermelho brilhante.
Enquanto Miguel e Ana estavam jantando, os tomates seguiram sua longa viagem até a cidade grande. Cuidadosamente guardados nas caixas, os tomates vermelhos frescos percorriam as estradas poeirentas e as pontes de madeira e atravessaram os pequenos povoados. Somente uma pequena parte da população da cidade cultiva seus próprios alimentos. A maior parte tem que comprar tudo o que necessita no novo e grande supermercado do centro ou em bancas de feiras montadas ao longo das muralhas da cidade desde tempos antiquíssimos. Já faz muitos anos que Pedro percorre as aldeias para comprar verduras para vender na cidade. Vende suas verduras frescas ao gerente de compras do novo supermercado, às pessoas que têm bancas na feira e às fábricas que processam alimentos na periferia da cidade.

Lentamente, Pedro estacionou seu caminhão no setor de cargas e descargas do novo supermercado. O homem do supermercado observou com satisfação a qualidade dos tomates vermelhos e frescos do Miguel e as demais verduras que enchiam o grande caminhão do Pedro. Ele descarregou algumas caixas de tomates, e outras verduras e frutas, e as colocou numa sala escura e fresca onde havia mais caixas de tomates e verduras. Fechou a pesada porta de madeira e a sala ficou escura e em silêncio. Pela manhã, os trabalhadores do supermercado iriam colocar os tomates nas prateleiras bem limpas em baixo das luzes brilhantes do supermercado. A população atarefada da cidade iria colocar os tomates em sacos plásticos e os levaria para casa para comê-los.
Os tomates que sobraram continuaram sua viagem pelas ruas lotadas da cidade. Ao lado do caminhão do Pedro, ecoavam buzinas e o tráfego circulava velozmente, enquanto a polícia orientava Pedro como chegar na estrada que levava à fábrica do distrito, distante do centro da cidade. O caminhão entrou no setor de carga e descarga da fábrica de processamento de alimentos no momento em que o sol se punha atrás da cidade.

Na fábrica, uns homens fortes transportaram as caixas de tomates do caminhão de Pedro até o armazém, conversando e rindo enquanto faziam seu trabalho. Longas filas de caixas cheias de tomates e de outras verduras se agrupavam umas junto às outras, à espera de serem introduzidas na fábrica para serem transformadas em conservas. As caixas de tomates foram esvaziadas na esteira transportadora que percorria, lentamente, toda a fábrica, passando pelas fases sucessivas do processamento. Os tomates se misturaram com os procedentes de outras partes da área rural. A esteira transportadora levou lentamente todos os tomates vermelhos e brilhantes até os responsáveis pela seleção. Eles os examinaram enquanto avançavam como se fossem um rio de tomates vermelhos. Suas mãos, cobertas com luvas de plástico, se moviam velozmente para retirar os tomates estragados. Pouco a pouco, os tomates progrediram até a fase seguinte, onde foram escaldados em água fervente e perderam a pele. Depois foram introduzidos em uma enorme panela onde ficaram cozinhando com sal e outros temperos. Os tomates borbulhavam dentro da enorme caldeira com os outros tomates, macios e inchados no caldo vermelho com temperos. Continuaram sua viagem até a seção dos enlatados onde caíram de forma ruidosa dentro de filas e filas de brilhantes latas redondas. As latas foram seladas com um barulho seco e em cada uma delas foi afixada uma brilhante etiqueta colorida com uma imagem de um tomate. Depois, os trabalhadores pegaram rapidamente as latas e as colocaram dentro de umas caixas de papelão marrom firme.
Os tomates do campo do Miguel, colocados nas latas redondas dentro das caixas de papelão, foram empilhados em um carrinho elétrico que os conduziu até um grande armazém, onde permaneceriam até que fossem vendidos, os tomates podiam permanecer ali durante muitos meses até que alguém fizesse um pedido de tomates. Poderiam ser encomendados por alguém da cidade ou podiam ser transportados a um lugar distante, talvez um lugar onde nunca tivesse sido cultivados tomates. Poderiam ser transportados por caminhão, trem, avião ou barco. Podiam ser adquiridos ou servidos nas refeições de um hospital, escola, restaurante ou na mesa de uma casa de família.
É possível inclusive que, um dia, Miguel e Ana, indo à venda de sua pequena vila, acabem comprando uma lata de molho de tomates quando acabarem as conservas de molho caseiro que Ana preparou . Eles irão sentar-se à mesa para jantar um molho feito com tomates enlatados e Miguel comentará com a Ana que esses tomates são deliciosos, apesar de não serem tão bons quanto os seus. Ana, então,responderá que, de fato, não são tão bons como os que eles cultivaram, mas são realmente excelentes e não saberão que os do campo deles voltaram para casa.
