«As políticas públicas deveriam considerar os jovens como agentes e não somente beneficiários de programas de desenvolvimento» (Eliseu Chaves, 24 anos, Presidente do Comitê Brasileiro da Juventude).
A cada ano, jovens cientistas de institutos de pesquisa agrícola do mundo em desenvolvimento, com o patrocínio do Banco Mundial, o Grupo Consultivo Internacional sobre Investigação Agrícola (CGIAR) e o Instituto Rodale são convidados para participar de uma apresentação do evento «Cultivando alimentos ao redor do mundo», que tem lugar no Epcot Center, uma atração turística de caráter científico, muito popular nos Estados Unidos. A finalidade destes eventos não é a de fortalecer as habilidades de pesquisa dos cientistas, mas sim as de comunicação.
O programa inclui a construção de réplicas de propriedades agrícolas típicas da América Latina, África, Ásia e Estados Unidos. Os cientistas convidados, com seus novos conhecimentos práticos de comunicação, apresentam os desafios agrícolas de seus países de origem a milhares de pessoas que visitam o Epcot Center todos os dias e demonstram como a pesquisa científica está ajudando a resolver os problemas. Os jovens cientistas têm desta maneira a oportunidade de comunicar-se com um público do mundo desenvolvido. Depois, podem voltar a seus países melhor preparados para continuar pesquisando e para discutir os problemas com os responsáveis pela formulação de políticas públicas, com outros cientistas e com os próprios agricultores. Quanto mais abrangente for seu público, mais suas pesquisas contribuirão para melhorar a produção de alimentos e a segurança alimentar.
«Nós somos especialistas em ser jovens. Nós percebemos quando nosso envolvimento é real e quando nós somos simplesmente usados como meras marionetes, legitimando decisões que já foram tomadas. Nós estamos batendo na porta, por favor nos deixe entrar, agora». (Camilla Lindquist, Conselho Nacional de Jovens Suecos)
Estudantes de quatro organizações internacionais se uniram a estudantes de Gana para elaborar um abordagem interdisciplinar de baixo custo para o desenvolvimento de comunidades rurais. O projeto constitui um excelente exemplo de como homens e mulheres jovens podem trabalhar em comum para melhorar a saúde e a nutrição nos países em desenvolvimento.
O projeto, que foi iniciado pela Federação Internacional de Estudantes de Medicina, recebeu posteriormente o apoio e a participação da Associação Internacional de Estudantes de Agricultura, da Associação Internacional de Estudantes de Silvicultura e da Federação Internacional de Estudantes de Farmácia.
A abordagem do seu plano, titulado «Projetos de desenvolvimento de conceitos adequados para pequenas cidades», reconhece a estreita relação que existe entre saúde, produção de alimentos e manejo de recursos naturais. Um dos seus principais objetivos é assegurar o abastecimento local de proteínas. Estudantes de agricultura do país e do exterior plantaram favas e soja, em parceria com a comunidade rural, em lavouras experimentais de demonstração e ensinaram aos agricultores técnicas de cultivo inovadoras e ecologicamente corretas. Uma granja avícola modelo também foi montada.
A realização destes projetos que desenvolvem conceitos adequados para vilas não teria sido possível sem a participação dos estudantes de Gana, que atuaram como coordenadores locais. Os estudantes também cooperaram estreitamente com o Comitê de Desenvolvimento Rural local. Sessenta e oito estudantes de 15 países trabalharam juntos no primeiro projeto, concebido como um modelo para que projetos internacionais de desenvolvimento envolvendo estudantes pudessem se reproduzir. O primeiro foi tão bem sucedido que um segundo projeto teve início quase imediatamente após a sua conclusão.
Há menos de cinco anos, Ren Xuping, um jovem professor da China, sem terra, recebeu três coelhos como doação de Heifer Project Internacional (HPI), uma ONG que crê no espírito empreendedor dos jovens. Esta organização deu os coelhos a Ren Xuping depois que seus vizinhos o identificaram como a pessoa mais necessitada da vila. O único compromisso por ele assumido foi o de que daria a outra pessoa ou a uma família necessitada a primeira cria de coelhos, ou seja, doaria o mesmo que havia recebido.
Ren Xuping cumpriu muito além do que havia prometido. Com grande sucesso, conseguiu criar mais de 21 gerações de coelhos e agora possui uma próspera granja com 200 mil coelhos. Doou centenas de coelhos a seus vizinhos e compartilhou com eles seu conhecimento sobre como cuidar dos animais.
Em outra parte da China, a HPI doou patos a uma jovem família. Em três anos, os jovens empresários criaram uma granja com uma produção anual de 400 mil patos. Atualmente distribuem patos reprodutores a outras famílias e deram início a indústrias domésticas que fornecem carne, ovos e plumas de pato para o mercado.
A HPI distribuiu animais de granja para jovens e famílias, de 40 países, que lhes permitem obter alimentos e renda.
Um seminário para jovens desempregados da área rural foi realizado na ilha caribenha de Dominica. Durante o mesmo eles foram estimulados a desenvolver atividades comerciais relacionadas à agricultura, como o processamento de frutas. Entretanto, dez jovens consideraram que havia boas oportunidades para se fabricar e vender velas. Grande parte da ilha não tinha energia elétrica suficiente, de modo que existia uma grande demanda de velas, até então importadas dos Estados Unidos e do Reino Unido.
Os organizadores do seminário lhes aconselharam a esquecer a idéia, mas os jovens desprezaram o conselho. Elegeram três mulheres para dirigir a cooperativa e elas aprenderam a fazer velas. Precisavam de capital para começar. Nenhum banco estava disposto a emprestar o dinheiro, mas a USAID os socorreu com uma doação de 4 mil dólares, que eles empregaram na compra de matéria prima - cera e pavio - e começaram a trabalhar. Os donos das bancas locais estavam felizes em poder vender aquelas velas e a cooperativa reinvestiu o lucro obtido na empresa. Os membros da cooperativa obtiveram um novo empréstimo de 5 mil dólares e no fim de um ano estavam recebendo um pequeno salário. Quando o abastecimento de luz elétrica da Dominica foi aperfeiçoado, começaram a exportar velas para outras ilhas da região.
Atualmente, a Cooperativa das Indústrias de Velas conta com 16 membros e todos eles estão orgulhosos de haver conseguido criar uma pequena empresa que lhes dá uma renda e constitui um exemplo do que um grupo de jovens pode conseguir por conta própria.
«A erradicação da pobreza deveria acontecer no
entendimento da cultura africana, e não do Ocidente. Pessoas que trabalham com
desenvolvimento deveriam entender e priorizar os valores e ideologias locais e
levar em conta as práticas da juventude local na hora de tomar decisões. A
abordagem deveria ser de baixo para cima».
(Benedetta Rossi, 24
anos, Organização Mundial de Ex-alunos de Escolas Católicas)
Os bancos raramente emprestam dinheiro aos pobres das zonas rurais para melhorar os métodos de produção de alimentos, razão pela qual em Bangladesh os habitantes de vilarejos devem muitas vezes pagar todo tipo de juros exorbitantes aos agiotas, que expropriam suas terras em caso de inadimplência.
Uma vila necessitava com urgência uma máquina para debulhar arroz. Até então esse trabalho era feito a mão, procedimento tosco e lento que causa grande desperdício. Um grupo de jovens criou uma cooperativa de crédito à qual os aldeãos pagavam uma pequena soma semanalmente. Com o passar do tempo, este fundo foi suficiente para comprar a debulhadora que cada lar utilizava em rodízio durante o período da colheita. Atualmente, o fundo também empresta dinheiro aos moradores mais pobres das vilas que o utilizam para comprar aves de granja e, com a venda de ovos, devolvem o empréstimo.
Estas atividades não somente aumentaram o abastecimento alimentar na vila, mas também propiciou aos aldeãos um sentimento de auto-suficiência e auto estima.
O movimento americano das 4-H é a prova de que um dos meios mais rápidos de difundir tecnologia alimentar e agrícola é por meio dos jovens. Em 1898, Will Otwell, um instrutor agrícola de Illinois, observou que poucos agricultores adultos estavam interessados em assistir reuniões para aprender novas práticas agrícolas. Decidiu então esquecer os pais e pensar nos filhos.
Otwell ofereceu aos jovens agricultores sementes melhoradas de milho, com a promessa de um prêmio para quem obtivesse o maior rendimento. Deste modo, os jovens realizariam demonstrações nas fazendas para que seus pais comprovassem as vantagens de plantar variedades de sementes de qualidade superior. No primeiro ano, mais de 500 garotos pediram sementes de milho. Em 1901, este número havia aumentado para 1.500 e em 1904 foi para 50.000. Na atualidade, o programa 4-H conta com cinco milhões de membros nos Estados Unidos e a idéia foi copiada em todo o mundo. As 4-H correspondem à inicias em inglês das palavras mão, cabeça, coração e saúde.
Um grupo de 100 bandeirantes estão propiciando uma alimentação melhor, renda e esperanças a aldeias isoladas do Burundi. Com a ajuda da campanha Telefood, da FAO, as bandeirantes começaram a criar frangos e a cultivar frutas e verduras.
A Associação Mundial de Bandeirantes (AMGS), que conta com 10 milhões de meninas e jovens filiadas em 136 países, fizeram da luta contra a fome e a desnutrição o foco das atividades locais e da solidariedade internacional. Em março de 1929, as Bandeirantes do Canadá ofereceram à Cruz Vermelha um cheque de 100.000 dólares como contribuição para a campanha de socorro contra a fome na República Popular Democrática da Coréia. Bandeirantes de todo o país participaram tanto da arrecadação de fundos como de atividades para melhorar a nutrição em suas próprias comunidades, incluindo trabalho com banco de alimentos locais, ajudando programas alimentares para cidadãos idosos e planejando hortas comunitárias que proporcionam produtos frescos para abrigos de mulheres. Bandeirantes da Áustria e da Costa Rica estão trabalhando unidas para melhorar a nutrição e a segurança alimentar.
Desde 1995, a FAO e a AMGS têm outorgado, a cada ano, uma Medalha da Nutrição à escoteira ou grupo de bandeirantes que realizam um projeto de destaque no âmbito da melhoria da nutrição e da educação nutricional.